Comer melhor com menos dinheiro
É possível comer melhor e gastar menos? A resposta é SIM! A crise que atravessamos pode ser a alavanca para uma mudança nos hábitos alimentares dos portugueses.

 


 Muito se fala de crise ou só se fala da crise de há uns tempos para cá. É certo que os tempos não estão fáceis, mas o instinto de sobrevivência de qualquer ser vivo obriga-o a adaptar-se a reagir perante causas adversas. Essa capacidade de adaptação ao meio é, aliás, uma das principais características dos seres vivos.

Às vezes chego a pensar que as coisas não acontecem por acaso e neste tempo também de uma verdadeira crise de valores e prioridades, a saúde tornou-se um negócio e parece que se fabricam doenças para depois se extraírem lucros fabulosos com o seu tratamento ou cura. Senão vejamos. Houve muitos estudos e grande avanço científico na compreensão das consequências do excesso de colesterol e triglicerídeos no sangue bem como dos efeitos da obesidade sobre a saúde. No entanto, de outro lado, a indústria alimentar encarrega-se de produzir alimentos repletos de ingredientes que contribuem para o aumento do colesterol, triglicerídeos e da obesidade, aumentando significativamente o risco de problemas cardio e cerebrovasculares, principais causas de morte nos países ditos desenvolvidos.

Mas, apesar dessa capacidade de adaptação, ela não é suficientemente rápida para permitir reverter o efeito do consumo exagerado de calorias, gorduras e açúcar a que sujeitamos o organismo, todos os dias, ele que foi preparado para sobreviver à fome, mas que ainda não consegue combater os excessos alimentares. Arriscar-me-ia a afirmar que esta “crise” poderá alavancar uma mudança compulsiva de hábitos alimentares que, neste momento, contribuem enormemente para a morbilidade e mortalidade de adultos e crianças . Como?

Comecemos por analisar alguns hábitos alimentares:

Pequeno-almoço

Antigamente o pequeno-almoço era constituído por leite e pão. O pão repetia-se a meio da manhã e ao lanche e o mesmo acontecia, pelo menos à tarde, com o leite ou iogurte. Hoje, em dia, muitas são as pessoas que não tomam o pequeno-almoço em casa mas sim no café ou confeitaria. O pão, não raras vezes, é substituído por 1 bolo que equivale a 3-4 pães em termos calóricos e que custa tanto como 7-8 pães comidos em casa. Também uma dose (30g) de cereais de marca branca ao pequeno-almoço fica pelo preço de um pão ( e com as mesmas calorias) e tem a vantagem de ser enriquecido em vitaminas e minerais. Ou seja, esse bolo equivale a, pelo menos, 7 pequenos-almoços. Nos 7 bolos poderá estará a ingerir cerca de 2700 calorias e nos sete pães comeria apenas 980. Um litro de leite dará para 4 copos em casa mas o seu preço não chega para pagar “meia de leite” (menos do que um copo de 240 ml) no café. Ou seja, 5 dias de pequeno-almoço constituído por um pão com manteiga e meia de leite no café, davam para pagar 30 dias de pequeno-almoço em casa!

 

Merenda da manhã e lanche

Estas refeições, se o intervalo entre as que as precedem e as que se seguem for superior a 3 horas, são obrigatórias. Não é preciso comer muito, mas bem. O que verifico é que muitos adultos não a fazem ou então recorrem ao café com o bolinho, embora o pão seja mais barato e muito mais saudável. Já as crianças de hoje, comem bolicaos, donuts ou bolachas cheios de açúcar e gordura que acompanham com refrigerantes isentos de nutrientes indispensáveis à sua saúde e crescimento e a que eles e respectivos pais chamam “sumo”. Caros e maus. Como boas opções, leite ou iogurte, uma peça de fruta, pão ou bolachas pouco doces, digestivos com azeite em vez de manteiga, frutos desidratados como uvas passas, ameixas secas, 2 ou 3 figos secos com nozes, etc.

 

Almoço e jantar

Chamadas de principais, não têm maior importância do que o pequeno-almoço ou as refeições intercalares. Numa alimentação que ser quer equilibrada e saudável os snacks devem dar uma importante contribuição em nutrientes, embora pequena em calorias. Se se omitirem, dificilmente os conseguiremos obter em apenas três refeições, e a fome será maior, levando a uma maior ingestão de alimentos ao almoço e ao jantar. Consequência: maior consumo de carne ou peixe, os alimentos mais caros, além de todos os outros. Um dos grandes erros na alimentação dos portugueses é o elevado consumo de produtos cárneos, responsável pelo elevado número de casos de cancros de cólon. Um adulto deverá consumir a cada refeição não mais do que 100-120g de carne ou peixe e muitas pessoas comem o dobro. Mais uma vez, reduzir para a quantidade adequada, permite ganhar saúde e comer num mês o que comeria em 15 dias. Ou seja, reduzir o custo das refeições quase para metade…

O consumo de ovos pelo menos uma vez por semana, ou levar para o almoço uma sanduíche de carne, peixe ou ovos com vegetais, são soluções que permitem fazer refeições muito mais baratas e saudáveis.

Confeccionar quantidades ajustadas a cada refeição e ao número de pessoas para que não sobre, é uma regra de ouro para economizar em dinheiro, calorias e recursos naturais.

Também a confecção de receitas simples e rápidas, permitem poupar tempo e reduzir o consumo energético, ajudas importantes para a saúde, para o ambiente e para a bolsa.

Bebidas

As crianças de hoje parecem desconhecer ou não apreciar o sabor da água, líquido imprescindível à vida porque, em boa verdade, os pais enchem o frigorífico com colas, ice-teas ou sumos que o não são, e mesmo a escola vende água em vez de a oferecer…

Faça a conta ao dinheiro que gasta nestas bebidas diariamente. Um pacote de 1litro dá para 4 copos. Se tiver 2 filhos e cada um beber 2 copos por dia gastará mais de 20 euros por mês e fará com que os seus filhos possam ter 6-7 quilos a mais ao fim de um ano. Normalmente bebem-nas em vez de água e os pais também, o que aumenta o gasto ainda mais…

Faça uma lista daquilo que sabe não ter interesse para a saúde ou crescimento. Pegue numa folha e registe o que gasta com esses produtos diariamente. Veja o que poupa se apenas os consumir ao fim de semana.

Só é pena que não possa contabilizar, no mesmo papel, o que seguramente ganha e dá a ganhar em saúde!  

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